E pronto, não é preciso ser nenhuma estudante de psicologia para entender o impacto catastrófico que um nome destes teria em alguém, para além de todas as suas consequências psicológicas e até mesmo do foro social. Claramente, um pontapé valente no centro de toda a sua auto-estima ou integridade. Já não basta não podermos escolher as nossas famílias e ainda somos forçados a levar com um nome estranho em cima? Mas que diabo, não teremos nós direito ao nosso próprio nome?
Bom, mas claro que nem tudo é negro, há os que gostam! E quer dizer, até estamos a fazer alguns progressos, ao menos não nos chamamos todos, como à uns bons tempos atrás, de Maria e José...
Ok mas pessoal, vamos lá...sei que queremos ser originais, mas a que custo?! Julgo que tenhamos talvez, subestimado e de que maneira, a influência do poder das palavras. Dar nomes às coisas é atribuir uma forma, um conteúdo, uma auto-imagem...porque acima de tudo o nome evoca, sugere e constrói a identidade da própria pessoa. Já para não falar de toda a componente emocional e simbólica que acarreta. Quando queremos chamar por um nome, queremos sentir que nos pertence e que o próprio nome nos ajuda a definirmo-nos a nós próprios.
Não que tenha algo contra nomes estranhos, há alguns que até são giros, mas estou claramente a falar daqueles que não se suporta nem se imagina!
Quando ouvir alguém a gritar pelo meu nome, quero que digam: Sílvia, sílvia e não: Finólila Piaubilina, Finólila Piaubilina
É por isso que tanto adoro shakespeare, ele sabe mesmo como usar as palavras e acima de tudo a escolher os nomes que utiliza, este excerto é claro um dos meus preferidos:
"Quem é Sílvia? O que ela oculta
em si, pois tudo a exalta?
Ela é pura, bela, culta
e, como não tem falta,
qualquer moço, ao vê-la, exulta.
Será doce como é bela?
Beleza inclui doçura.
Cego, o Amor, tão logo apela
a seu olhar, se cura
e hoje habita os olhos dela.
Louvemos Sílvia, senhores,
porque Sílvia supera
quanto vive, até os melhores
mortais aqui da Terra,
e coroêmo-la de flores."
Trecho de " Dois Cavalheiros de Verona" - Meu Deus, como sabe bem ao ego, embora confesse que se trate mais de um puro narcisismo do qual por vezes todos nós necessitamos. Porque só aprendendo a gostar de nós próprios é que poderemos realmente vir a apreciar na sua plenitude aquilo nos rodeia!
Mas por exemplo, ficaria no entanto tudo arruinado, se por ventura o nome por ele escolhido fosse a de: “Ursa”, como a de uma placa que belo dia encontrei quando fui visitar o Cabo da Roca:

Portugal está repleto de sítios belos e fantásticos e nós temos simplesmente a lata de dar nomes como este para dignificar ainda mais o nosso país, não é?! Ou então adoramo simplesmente nos enterter e ser gozados! E nisso - Somos o nº 1!

1 comentário:
olá amiga,
sim, há com cada nome!! eu sou um pco picuinhas com isso e digo frequentemente: "mas quem se chama assim? que nome.." e ainda nem apanhei aqueles mais estranhos.
eu dou por mim a pensar: ainda bem que tenho o nome que tenho :) embora não conheça nenhum poema que transpire coisas bonitas como ao teu nome lol
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